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Leia aqui a segunda parte da entrevista com Cacilda Povoas, responsável pela coordenação de toda a equipe da JAM no MAM! 




Como você descreveria o público da JAM no MAM hoje?

Cacilda Povoas - O público é lindo! O mais bonito é que se trata de um público diversificado, um público de muitas cores, várias crenças, credos, orientações sexuais, afinidades estéticas, estilos de vida os mais diversos. Posso estar enganada, mas isso é o que vejo. Ainda não consegui fazer uma pesquisa sobre o perfil do público da JAM. É o meu compromisso para 2012.  Mas é fácil ver que ele tem do velho à criança; tem brancos, pretos, vermelhos, amarelos, os que vão de ônibus, os que vão de carrão, tem muitos moradores do Dois de Julho, como eu, que descem a ladeira, muitos turistas, brasileiros e estrangeiros, menininhos de mãos dadas, menininhas de mãos dadas, muito estudante, muito professor, artistas, funcionários, é um público lindo!

Você conseguiria apontar quais foram os melhores momentos da JAM pra você?
Cacilda Povoas -Teve a canja de Elza Soares, em 2008, quando ela apareceu sem avisar, para conhecer a JAM. Foi mágico! Também a canja da gaita de fole, em 2009, a canja da flautista que veio com a Julliard School, em 20 de agosto desse ano... A canja da Orquestra Sinfônica da Bahia, no dia 27 de agosto; a canja do violinista Didier Lockwood, em setembro desse ano; algumas canjas de Daniel Rekard no período em que ele esteve em Salvador, em 2010; a canja de Carlos Malta e José Eduardo Nazário, em 2009; a canja de Chico César na Jam na Praça, em 2006, e a da JAM no MAM, em 2009, também foi muito bonita. Mas devo dizer que a prata da casa nunca faz por menos: Joatan Nascimento, Paulo Mutti, Orlando Costa frequentemente empolgam o público da JAM e me emocionam. Todos os músicos da Banda Base são muito bons solistas e já me senti presenteada várias vezes por solos maravilhosos!

Quem você adoraria ver tocando ou cantando na JAM?

Cacilda Povoas -Queria ouvir Ricardo Castro tocar piano na JAM, dar uma canja... E queria que Chico César fosse novamente dar uma canja.

Esse ano foi fechado o patrocínio da Oi Futuro à JAM. O que isso representa para o projeto?

Cacilda Povoas - Além do prestígio de ser reconhecido por uma empresa que vê na JAM um projeto sólido que agrega qualidade à sua história e imagem, ganhamos mais recursos com o apoio cultural da Oi Futuro e o patrocínio da Oi, através do Fazcultura, que é o Programa Estadual de Incentivo a Cultura. Desde sua retomada em 2007 o projeto vem sendo subsidiado pelo Fundo de Cultura da Bahia, exceto por um período em que recebeu recursos diretos do IPAC e um breve período em que recebeu recurso via Lei Rouanet. Com a Oi, finalmente faremos o DVD da JAM no MAM, uma antiga demanda do público. Foi possível também aumentar a Banda Base e garantir que o live act, a nossa jam de imagens, fosse realizado durante todo o contrato. Mas minha meta é conseguir uma infraestrutura melhor para o público, mais banquinhos, mais toldos nos dias de chuva, uma iluminação melhor.  Os músicos também merecem reajuste nos cachês, congelados desde 2009!

Mas a JAM está quase sempre cheia... Ela não conseguiria viver somente da sua bilheteria?

Cacilda Povoas - Apesar da estrutura espartana que temos na JAM no MAM, ingressos de R 5,00 e R$ 2,50, mesmo que a JAM tenha mais inteiras do que meias temos um valor médio de ingresso de R$4,00. Não é possível subsidiar a JAM só com a bilheteria. O valor real do ingresso hoje seria em torno dos R$10,00 para todos!

Quais são os custos fixos do projeto?
Cacilda Povoas - O atual projeto banca os seguintes itens: Músicos, Diretor Artístico e Musical, técnicos e contrarregras, equipe de limpeza e serviço gerais, segurança, bilheteiros, produtores e assistente de produção, locação de computador, câmeras, equipamento de projeção, técnicos de audiovisual, VJ e coordenação do Live Act, roteirista, editor e assistente do DVD, cópias do DVD, locação de banheiros químicos, confecção de ingressos e muitos outros quesitos ligados a comunicação. Ainda não consta nesse projeto, mas precisamos que o próximo projeto também seja capaz de bancar a manutenção de bancos, praticáveis, toldos, lixeiras, bilheteria e demais equipamentos que compõem essa estrutura espartana da JAM no MAM.

Como é a relação do projeto com os moradores da comunidade ao lado do MAM?
Cacilda Povoas - Quando Daniel Rangel nos convidou para retomar o projeto das jam sessions no MAM, a própria direção do museu determinou que a comercialização de alimentos e bebidas seria realizada pelos moradores do Solar do Unhão. Essa iniciativa do MAM tem grande afinidade com a nossa proposta e o nosso modo de pensar esse encontro de músicos. Acreditamos que esse evento para realizar verdadeiramente o seu objetivo de ser um palco aberto para a música instrumental improvisada, precisa ser agregador, democrático e simples.

Existem planos (novidades) programados para esse verão?
Cacilda Povoas  -Em toda entrevista me pedem a programação, as novidades... Mas a JAM é sempre uma novidade! É sempre a mesma e sempre outra, sempre um encontro de músicos. Mas nunca sabemos quem irá a esse encontro, nem o que vão tocar. Para que não falte nenhum instrumento que deixe a banda capenga, temos uma Banda Base de garantia, mas nem ela é sempre a mesma e, além dela, uma média de 11 músicos dão canja. São ao todo 20 músicos que não ensaiaram, nem escolheram o repertório previamente, não programaram nada. Estão lá para tocar o que der na telha.

E qual é o sonho mais próximo de virar realidade na JAM?

Cacilda Povoas - Queremos transmitir a JAM ao vivo pela internet

Para conferir a primeira parte da entrevista com Cacilda, clique aqui!

Foto Márcio Lima.