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Como foi a JAM com as Panteras Negras no dia 16/03

No mês que é marcado pela luta das mulheres, a JAM no MAM teve o privilégio de contar com a participação da banda Panteras Negras, que fez a abertura da programação musical do sábado passado (16/03). Foi ainda com o pôr do sol colorindo a paisagem que Suyá Nascimento (guitarra), Makena (baixo), Line Santana (bateria) e Dedê Fatuma (percussão) mostraram para um público curioso e atento o som da primeira banda instrumental do mundo formada só por mulheres negras!

Suyá Nascimento (Panteras Negras) na JAM no MAM. Foto Lígia Rizério

As Panteras Negras são uma grande demonstração de como pode ser plural a cena instrumental. Com muito estilo destilaram um repertório de reggae, funk e, principalmente, levadas afro-baianas, transformando muitas das suas interpretações em “mantras” curtidos em faixas longas.  O quarteto tem a guitarra de Suyá Nascimento como centro da ação na maioria das melodias, na harmonia e nos efeitos da pedaleira, dando uma sensação de preenchimento, mas sem apelar aos "loops" nem às programações de computador. Tudo tocado e operado ao vivo.

Makena (Panteras Negras) na JAM no MAM. Foto Lígia Rizério

Já o baixo elétrico de Makena opera nas profundezas, com linhas bem desenhadas e um excelente sentido de pulsação e pressão, ou seja, o coração do som. Line Santana (bateria) e Dedê Fatuma (percussão) arrematam todo esse conceito cravando um swing com DNA baiano, formando um quarteto que transforma sua performance num engajamento político extremamente necessário nestes tempos em que tanto nossa subjetividade quando direitos conquistados vêm sendo postos à prova. Ou seja, o minimalismo pulsante das Panteras Negras foi capaz de mexer com os conceitos daqueles que pensam na música instrumental apenas para apreciação em salas de concerto.

JAM no MAM de 16-03-2019. Foto Lígia Rizério

A entrada da Geleia Solar foi com a canção "Emoriô" (João Donato), com as Panteras ainda no palco “mandando ver” ao lado de Bene Jäckle (sax tenor), Fernando Miranda (trompete), Matias Traut (trombone), Lorena Martins (bateria), Bruno Aranha (teclado) e Wilton Batata (percussão). Timão animado e talentoso que segurou a atenção do público imenso que já ocupava a área externa do Soar do Unhão.  E chegou mais gente no palco! Felipe Guedes (guitarra), Ivan Bastos (baixo), Ivan Huol (percussão) e Rui da Chave (chaves) entraram na interpretação de “Café com pão", também de João Donato.

JAM no MAM de 16-03-2019. Foto Lígia Rizério

E foi dia de matar a saudade do percussionista Orlandinho, que deu o ar da graça depois de passar uma longa temporada acompanhando grandes artistas no Rio de Janeiro. Ele tocou timbales em "Patinete Rami Rami" (Letieres Leite), junto com Daniel Ragoni na bateria e Tomaz Loureiro no baixo.

Entre as muitas músicas propostas na noite teve “Tin Tin Deo” (Chano Pozo e Gil Fuller), com Artur Carneiro no baixo e Paulo Giron nas congas. A derradeira foi “Erê alabê”, composição de Ivan Bastos feita em homenagem a... Orlandinho! O percussionista tocou tama e, como sempre, deu um show! Essa edição da JAM no MAM foi financiada pelo seu público através da campanha FÃ da JAM (que continua ativa através de diversas propostas) e tem apoio do Museu de Arte Moderna da Bahia. Nossa próxima JAM no MAM acontece no dia 30 de março, também com patrocínio FÃ da JAM! Até lá!

Dedê Fatuma (Panteras Negras) na JAM no MAM. Foto Lígia Rizério

Essa edição da JAM no MAM foi financiada pelo seu público através da campanha FÃ da JAM (que continua ativa através de diversas propostas) e tem apoio do Museu de Arte Moderna da Bahia. Nossa próxima JAM no MAM acontece no dia 30 de março, também com patrocínio FÃ da JAM! Até lá!

Line Santana (Panteras Negras) na JAM no MAM. Foto Lígia Rizério