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Os 20 anos da JAM no MAM!

A JAM no MAM completou 20 anos no último dia 25 de agosto.  Foram oito anos seguidos (de 1993 a 2001) de jam sessions em frente à capela do Museu de Arte Moderna da Bahia (projeto que era chamado de Jazz MAM antes de assumir se “apelido” JAM no MAM) e em 2019 atinge 12 anos dos encontros no pátio Solar do Unhão.

Ivan Huol na JAM no MAM. Foto Lígia Rizério.

A comemoração será no próximo sábado, dia 31 de agosto, com uma jam session especial reunindo alguns dos músicos que durante essas duas décadas misturam talento e improvisação para acolher diversos artistas e estilos nos sábados musicais de Salvador.  Um deles viu tudo surgir e crescer de perto, e hoje assume o posto de diretor artístico da JAM no MAM. Nessa entrevista, o baterista, produtor e compositor Ivan Huol comenta algumas das diferenças entre a JAM de antes de hoje, dividindo suas impressões sobre as mudanças e evolução do projeto.

O que significa para você, pessoalmente, completar 20 anos de JAM no MAM?

Ivan Huol - Não consigo pensar muito nisso. À cada apresentação, fico numa pressão enorme, preocupado em manter a coisa rolando. Ao mesmo tempo, penso na bênção de poder liderar um projeto musical tão particular e por tanto tempo. Toda essa vivência me dá uma cancha musical e uma intimidade com o público que não teria, não fosse esse projeto.

Jazz MAM nos anos 1990

Você sente saudade do início da JAM no MAM, quando o projeto tinha um espírito mais informal em relação à produção?

Ivan Huol - Na lógica, é preciso ter um início, mas musicalmente, era um momento de muita dureza, em que não se sabia se teríamos bons músicos disponíveis para tocar ou a fim de tocar. Havia muita canja amadora e nem sempre conseguíamos formar uma boa banda base. Não fosse pelo “núcleo duro” que formamos com Jurandir Santana (guitarrista) e Alexandre Montenegro (baixista), já que Bastos passou a morar em Piatã (cidade do interior da Bahia) e quase nunca estava disponível, o projeto não teria vingado. Ganhava-se muito pouco e invariavelmente com muito atraso. Isso nos primeiros dois ou três anos de Jazz MAM.

Em que momento da trajetória do projeto você percebeu que ele poderia atingir um ponto de referência para a cena musical local?

Ivan Huol - Acredite, não costumo contar com essa afirmação de que somos referência, essas coisas, mas, ao mesmo tempo, desde o primeiro encontro, lá na sala de minha casa, em 1991, sabia da importância (necessidade) e força do que estávamos fazendo. Bem, a coisa ficar tão popular assim, nós nunca imaginamos!

Em termos artísticos, o que mais mudou durante esse tempo?

Ivan Huol - A turma toca mais e melhor agora. Especialmente as novas gerações, que já chegam com meio caminho à frente. Nossa banda base agora é um luxo! Em princípio éramos trio, quarteto e, no máximo, quinteto. Hoje vamos do octeto até formações de 10 músicos “quebrando tudo” no som!

Qual é o maior mérito da JAM no MAM pra você?

Ivan Huol - Popularizar o impopular. Levar para qualquer classe social, música instrumental improvisada. Estou me referindo a uma expressão artística que é, se muito, 0,01% da programação musical em meios de comunicação de massa. É uma mudança de paradigmas e tanto!

Como vocês conseguiram manter o espírito de informalidade da JAM mesmo vendo o projeto crescer tanto?

Ivan Huol - Acho que a forma gentil de se reportar aos músicos que aparecem para dar canja, junto com a ideia (desenho) de som, luz e palco que aproxima e abraça quem quer que queira se chegar a nós, preserva esse espírito.

Público da JAM no MAM. Foto Lígia Rizério.

Você sente que o público da JAM também mudou muito nesses 20 anos?

Ivan Huol - Sinto a mesma vibração, a mesma onda com relação ao público, desde o começo. É como se a plateia crescesse exponencialmente, mas com o mesmo perfil do início.

8. Quais seriam os pontos altos na história do projeto? Você conseguiria indicar três (ou mais) encontros musicais inesquecíveis da JAM no MAM?

Ivan Huol - A primeira participação de Arturzinho Maia foi inesquecível (tem o vídeo no Youtube!). A canja de Elza Soares também foi coisa de outro mundo! Teve a canja de Cezar Camargo Mariano... O show de Toninho Horta... Veja que não gosto de reforçar essa ideia de estrelato e estrelas, mas essas canjas marcaram muito nossa plateia e nossos músicos.

9. Apesar de contar com cada vez mais público e de ter solidificado seu nome como um projeto importante na agenda cultural da cidade, conhecido em todo o Brasil, hoje a JAM está sem patrocínio regular e reduziu de quatro para apenas uma jam session mensal. O que isso significa concretamente para a cena instrumental baiana?

Ivan Huol - O fim da picada!! Sério, é muito ruim para todos. A “economia do jazz” fica severamente abalada. Perdemos cerca de 10 horas (!) mensais de elaboração musical improvisada e deixamos cerca de 4 mil pessoas sem o lazer bom e barato das tardes de sábado no MAM. Perde a cidade, o estado, o Brasil... Lamentável.